Teatro Alfredo Mesquita estreia musical infantil acessível para cegos




A imagem está no formato retangular na horizontal. Nela contém três pessoas atrás de uma bancada de em cima de um palco de teatro manuseando bonecos, como marionetes. Fim da descrição.
Foto: Divulgação

 

 

Atualizado em 05/05/2017

 

No próximo sábado, 06/05, estreia no Teatro Alfredo Mesquita o novo espetáculo da Pocilgas & Cia. Com direção de Márcio Araújo, Heróis à Vista é um musical infantil – cantado ao vivo – que conta com a manipulação de bonecos em diferentes técnicas: direta, bunraku e fantoches. A proposta traz uma grande inovação: o espetáculo conta com audiodescrição para pessoas com deficiência visual, gravada pela cantora Ceumar. Na prática, uma peça totalmente acessível a adultos e crianças com deficiência visual sem, no entanto, tornar-se exclusiva para eles.

 

Baseada no livro homônimo publicado pela Globo Livros, Heróis à Vista é uma grande aventura que conta a história de Boris, um cãozinho filhote que sonha ser um cão-guia, assim como o pai. Mas a avó Irina, uma cão-guia aposentada, avisa: “você terá que ser perseverante e aprender a se desapegar! Essa é a maior dificuldade de um cão-guia!”. Ao mesmo tempo, Luíza, uma menina de 10 anos, sonha ser detetive, mas ela também tem uma dificuldade: é cega. E por isso, alguns amigos na escola a desencorajam. Mas ela está decidida!

 

A trajetória de Boris não é fácil: primeiro é afastado da mãe e irmãos, ainda filhote, e vive um ano com um casal de humanos. Depois, tem que deixá-los para seguir para a Escola de Cão-Guia. Lá, passa por dificuldades, enfrentando Trovão, um cão-treinador muito exigente e feroz. Enquanto isso, a menina Luíza vai se deparando com as dificuldades do dia a dia. Nesses momentos, ela descobre que apesar de não ter visão, tem outras aptidões: escuta muito bem, sente cheiros como ninguém, tem um paladar muito desenvolvido e encontra várias coisas pelo tato. Talentos que podem ajudar, e muito, a se tornar detetive!

 

Até que finalmente, Boris consegue se tornar um cão-guia e o encontro dos dois acontece: ele é escolhido para ser os olhos de Luíza, e o sonho dela pode se realizar de vez! Boris e Luiza viram uma dupla de heróis detetives que vão desvendar muitos mistérios! Os personagens foram desenhados pelo ilustrador e animador Guilherme Alvernaz, que criou a onça Ginga, mascote do time olímpico brasileiro de 2016.

 

A peça utiliza bonecos de bancada, feitos por Armando Júnior, um dos grandes bonequeiros e manipuladores do Brasil. No espetáculo, três manipuladores dão vida a todos os personagens e também aos objetos que surgem durante a trama. O cenário é completamente móvel, com adereços que compõem cada espaço por onde a história se desloca. As músicas, cantadas ao vivo, foram compostas por Tato Fischer, parceiro de longa data da Cia Pocilgas. O arranjo ficou por conta de Gabriel Moreira, multi-instrumentista que domina mais de oito instrumentos.

 

Em prol da causa do cão-guia

 

Heróis à vista transmite às crianças a importância do compromisso com a cidadania por meio de uma história de cumplicidade e esperança entre uma garotinha e seu cão-guia. Peça e publicação foram inspirada em Boris, cão-guia de Thays Martinez, idealizadora do livro homônimo e protagonista no processo de elaboração e aprovação da lei que autoriza o trânsito livre desses animais por todo o Brasil. Thays – autora de Minha vida com Boris, publicado em 2011 pela Globo Livros –  é fundadora do Instituto IRIS, organização que é uma das pioneiras no Brasil na difusão do cão-guia como facilitador do processo de inclusão da pessoa com deficiência visual. A ONG receberá parte da renda das vendas de ingressos da peça para investir na causa, ou seja, para vencer o desafio de aumentar o acesso das pessoas que querem um cão-guia a esse benefício.

 

Atualmente, o IRIS conta com uma lista composta por quase 3 mil pessoas que aguardam a doação de um cão-guia. Além do objetivo de doá-los aos inscritos, Thays tem um sonho a ser realizado: criar uma estrutura para treinar cães-guia no Brasil, oferecer classes a instrutores e disseminar informações precisas sobre a enorme contribuição dos cães-guia na vida das pessoas com deficiência visual ou baixa visão.




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